Para psicóloga escolar, descanso e convívio social não são pausas no estudo, são parte dele


Foto: Divulgação/GGE

Enquanto muitos vestibulandos enxergam o isolamento como condição para a aprovação, Henrique Malta, 17 anos, fez o caminho inverso  e chegou ao primeiro lugar geral em Medicina na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Esporte, amigos, sono e pausas de qualidade são aliados e não concorrentes com a preparação para o vestibular.

“Quanto mais estresse, pior é seu resultado”, diz o aluno do Colégio GGE. “Não queria resumir minha vida a estudar. Sou uma pessoa, não uma máquina”, pontua.

A psicóloga da escola, Maria Eduarda Vaz, explica que o raciocínio tem fundamento. Um erro comum entre vestibulandos, segundo ela, é usar períodos de folga para tentar recuperar em poucas semanas o que não foi estudado durante o semestre. “O cérebro e o emocional precisam de pausa para se regenerar. Sem esse descanso, a memória, a concentração e a capacidade de absorver conteúdo ficam comprometidas”, afirma.

Henrique aplicou isso na prática. Além do esporte e do convívio social, ele manteve atenção à rotina dentro da sala de aula, algo que, segundo ele, muitos negligenciam. “Um diferencial é prestar bastante atenção nas aulas”, diz. O material didático do colégio e os simulados completavam a preparação, sem grandes segredos.

Para Maria Eduarda, a qualidade do estudo importa mais do que a quantidade de horas. “A aprendizagem depende diretamente do estado emocional do estudante. Um cérebro regulado emocionalmente funciona de maneira mais eficiente para aprender e absorver conteúdo”, afirma. Por isso, recorrer ao celular como descanso, por exemplo, fragmenta a atenção em vez de restaurá-la. “O uso de telas hiperestimula e vai de encontro com o que o estudo demanda, que é concentração e foco”, diz. O sono, frequentemente subestimado, também é central: é durante ele que o cérebro consolida o que foi aprendido.

O acompanhamento psicológico entra para ajudar o aluno a sustentar esse equilíbrio sem culpa. “Muitos sentem culpa ao sair com amigos ou descansar, como se estivessem desperdiçando tempo. Esse é um dos primeiros sinais de que algo está fora do lugar”, alerta a psicóloga. Outros indicadores de sobrecarga incluem cansaço persistente mesmo após dormir, alterações no sono e na alimentação, irritabilidade e sintomas físicos como dores de cabeça e tensão constante.

Henrique, que também passou por olimpíadas do conhecimento durante a trajetória escolar, diz que o processo moldou seu caráter antes de qualquer resultado. E o conselho que deixa para quem quer chegar onde ele chegou resume bem a filosofia: “Façam terapia, mantenham relações com quem vocês amam, façam atividade física. Mas sempre focados nos objetivos”, afirma.

O GGE registrou 18 aprovações na Unicap e outras 18 na Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) no mesmo processo seletivo. Em 2025, foram 219 aprovações em medicina. Para o coordenador do GGE Tiago Pereira, os números refletem uma preparação que vai além do conteúdo. “O acompanhamento próximo ao longo de toda a trajetória do aluno faz parte do nosso projeto pedagógico”, afirma. 

Entre as ferramentas estão a Bússola, sistema de plano de estudo individualizado a partir do desempenho no simulado do Enem, orientação de carreira e a turma MED, com aprofundamento em Ciências da Natureza e Matemática para cursos de alta competitividade.

“O vestibular é uma maratona. Quem gasta toda a energia no começo dificilmente chega ao final. É preciso ter constância, atravessada por descanso e momentos de convívio”, finaliza Maria Eduarda.